“A questão não é que o PT não enxerga a solução, é que o PT não vê o problema” Joelmir Betting
quarta-feira, 23 de janeiro de 2013
Marco Antonio Villa: Um cidadão acima de qualquer suspeita
Luís Inácio Lula da Silva se considera um cidadão acima de qualquer suspeita. Mais ainda: acha que paira sobre as leis e a Constituição. Presume que pode fazer qualquer ato, sem ter que responder por suas consequências.
Simula ignorar as graves acusações que pesam sobre sua longa passagem pela Presidência da República. Não gosta de perguntas que considera incômodas. Conhecedor da política brasileira, sabe que os limites do poder são muito elásticos. E espera que logo tudo caia no esquecimento.
Como um moderno Pedro Malasartes vai se desviando dos escândalos. Finge ser vítima dos seus opositores e, como um sujeito safo, nas sábias palavras do ministro Marco Aurélio, ignora as gravíssimas acusações de corrupção que pesam sobre o seu governo e que teriam contado, algumas delas, com seu envolvimento direto.
Exigindo impunidade para seus atos, o ex-presidente ainda ameaça aqueles que apontam seus desvios éticos e as improbidades administrativas. Não faltam acólitos para secundá-lo. Afinal, a burra governamental parece infinita e sem qualquer controle.
Indiferente às turbulências, como numa comédia pastelão, Lula continua representando o papel de guia genial dos povos. Recentemente, teve a desfaçatez de ditar publicamente ordens ao prefeito paulistano Fernando Haddad, que considerou a humilhação, por incrível que pareça, uma homenagem.
Contudo, um espectro passou a rondar os dias e noites de Luís Inácio Lula da Silva: o espectro da justiça. Quem confundiu impunidade com licença eterna para cometer atos ilícitos está, agora, numa sinuca de bico.
O vazamento do depoimento de Marcos Valério – sentenciado no processo do mensalão a 40 anos de prisão ─ e as denúncias que pesam sobre a ex-chefe do gabinete da Presidência da República em São Paulo, Rosemary Noronha, deixam Lula contra a parede. O figurino de presidente que nada sabe, o Forrest Gump tupiniquim, está desgastado.
No processo do mensalão Lula representou o papel do traído, que desconhecia tratativas realizadas inclusive no Palácio do Planalto – o relator Joaquim Barbosa chamou de “reuniões clandestinas” ─; do mesmo modo, nada viu de estranho quando, em 2002, o então Partido Liberal foi comprado por 10 milhões, em uma reunião que contou com sua presença.
Não percebeu a relação entre o favorecimento na concessão para efetuar operações de crédito consignado ao BMG, a posterior venda da carteira para a Caixa Econômica Federal e o lucro milionário obtido pelo banco.
Também pressionou de todas as formas, para que, em abril de 2006, não constasse do relatório final da CPMI dos Correios, as nebulosas relações do seu filho, Fábio Luís da Silva, conhecido como Lulinha, e uma empresa de telefonia.
No ano passado, ameaçou o ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes. Fez chantagem. Foi repelido. Temia o resultado do julgamento do mensalão, pois sabia de tudo. Tinha sido, não custa lembrar, o grande favorecido pelo esquema de assalto ao poder, verdadeira tentativa de golpe de Estado.
A resposta dos ministros do STF foi efetuar um julgamento limpo, transparente, e a condenação do núcleo político do esquema do mensalão, inclusive do chefe da quadrilha – denominação dada pelo procurador-geral da República Roberto Gurgel ─ sentenciado também por corrupção ativa, o ex-ministro (e todo poderoso) José Dirceu, a 10 anos e 10 meses de prisão. Para meio entendedor, meia palavra basta.
As últimas denúncias reforçam seu desprezo pelo respeito às leis. Uma delas demonstra como sempre agiu. Nomeou Rosemary Noronha para um cargo de responsabilidade. Como é sabido, não havia nenhum interesse público na designação.
Segundo revelações divulgadas na imprensa, desde 1993 tinham um “relacionamento íntimo” (para os simples mortais a denominação é bem distinta). Levou-a a mais de duas dúzias de viagens internacionais ─ algumas vezes de forma clandestina ─, sem que ela tenha tido qualquer atribuição administrativa.
Nem vale a pena revelar os detalhes sórdidos descritos por aqueles que acompanharam estas viagens. Tudo foi pago pelo contribuinte. E a decoração stalinista do escritório da presidência em São Paulo? Também foi efetuada com recursos públicos.
E, principalmente, as ações criminosas dos nomeados por Lula ─ para agradar Rosemary ─ que produziram prejuízos ao Erário, além de outros danos? Ele não é o principal responsável? Afinal, ao menos, não perguntou as razões para tais nomeações?
Se isto é motivo de júbilo, ele pode se orgulhar de ter sido o primeiro presidente que, sem nenhum pudor, misturou assuntos pessoais com os negócios de Estado em escala nunca vista no Brasil. E o mais grave é que ele está ofendido com as revelações (parte delas, registre-se: e os 120 telefonemas trocados entre ele e Rosemary?).
Lula sequer veio a público para apresentar alguma justificativa. Como se nós, os cidadãos que pagamos com os impostos todas as mazelas realizadas pelo ex-presidente, fôssemos uns intrusos e ingratos, por estarmos “invadindo a sua vida pessoal.”
Hoje, são abundantes os indícios que ligam Lula a um conjunto de escândalos. O que está faltando é o passo inicial que tem de ser dado pelo Ministério Público Federal: a investigação das denúncias, cumprindo sua atribuição constitucional.
Ex-presidente, é bom que se registre, não tem prerrogativa de estar acima da lei. Em um Estado Democrático de Direito ninguém tem este privilégio, obviamente. Portanto, a palavra agora está com o Ministério Público Federal.
domingo, 20 de janeiro de 2013
Guilherme Fiuza: Sorria, você está sendo roubado
O “Financial Times” disse que o jeitinho brasileiro chegou
ao comando da política econômica. O jornal britânico se referia à solidariedade
entre os companheiros Fernando Haddad e Guido Mantega, num arranjo para que a
prefeitura de São Paulo retardasse o aumento nas tarifas de ônibus, ajudando o
Ministério da Fazenda a disfarçar a subida da inflação. A expressão usada pelo “Financial
Times” é inadequada. Os britânicos não sabem que esse conceito quase simpático
de malandragem brasileira está superado. O profissionalismo do governo popular
não mais comporta diminutivos.
No Brasil progressista de hoje, os números dançam conforme a
música. E a maquiagem das contas públicas já se faz a céu aberto: o império do
oprimido perdeu a vergonha. No fechamento do balanço de 2012, por exemplo, os
companheiros da tesouraria acharam por bem separar mais 50 bilhões de reais
para gastar. Faz todo o sentido. Este ano as torneiras têm que estar bem
abertas, porque ano que vem tem eleição e é preciso irrigar as contas dos
aliados em todo esse Brasil grande. A execução do desfalque no orçamento foi um
sucesso.
Entre outras mágicas, o governo popular engendrou uma
espécie de “lavagem de dívida” para fabricar superávit. Marcos Valério ficaria
encabulado. O Tesouro Nacional fez injeções de recursos em série no BNDES, que
por sua vez derramou financiamentos bilionários nas principais estatais, e
estas anteciparam sua distribuição de dividendos, que apareceram como crédito
na conta de quem? Dele mesmo, o Tesouro Nacional - o único ente capaz de torrar
dinheiro e lucrar com isso. Ao “Financial Times”, seria preciso esclarecer:
isso não é jeitinho, é roubo.
A “contabilidade criativa” - patente requerida pelos mesmos
autores dos “recursos não contabilizados” que explicavam o mensalão - não é
vista como estelionato porque o brasileiro é um amistoso, um magnânimo,
deslumbrado com seu final feliz ao eleger presidente uma mulher inventada por
um operário. Não fosse isso, era caso de polícia. A falsidade ideológica nas
contas do governo Dilma rouba do cidadão para dar ao governo. Ao esconder
dívidas e “esquentar” gastos abusivos, a Fazenda Nacional fabrica créditos
inexistentes - que serão pagos pelos consumidores e contribuintes, como em toda
desordem fiscal, através de impostos invisíveis. O mais conhecido deles é a
inflação.Em outras palavras: o jeitinho encontrado pelo companheiro-ministro da
Fazenda para maquiar a inflação é um antídoto contra o jeitinho por ele mesmo
usado para aumentar a gastança pública.
O maior escândalo não é a orgia administrativa que corrói os
fundamentos da estabilidade econômica, tão dificilmente alcançada. O grande
escândalo é a passividade com que o Brasil assiste a isso, numa boa. Se distrai
com polêmicas sobre “pibinho” ou “pibão”, repercute bravatas presidenciais
sopradas por marqueteiros, e não reage ao evidente aumento do custo de vida,
aos impostos mais altos do mundo que vêm acompanhados, paradoxalmente, por
recordes negativos de investimento público. A bandalheira fiscal é abençoada
por um silêncio continental. Nem a ditadura conseguiu esse milagre.
No auge da era da informação, o Brasil nunca foi tão
ignorante. Acha que as baixas taxas de desemprego - fruto de um ciclo virtuoso
propiciado pela organização macroeconômica - são obra de um governo com “sensibilidade
social”. Justamente o governo que está avacalhando a estabilização, estourando
a meta de inflação e matando a galinha dos ovos de ouro. Esse Brasil obtuso
acha que as classes C e D ascenderam ao consumo porque o que faltava, em 500
anos de história, era um governo bonzinho para inventar umas bolsas e
distribuir dinheiro de graça.
Esse mal-entendido pueril gera uma blindagem política
invencível. Os passageiros que assaram no Galeão e no Santos Dumont, no
vergonhoso colapso simultâneo de dezembro, são incapazes de relacionar seu
calvário ao caso Rosemary - a afilhada de Lula e Dilma que protagonizou o
escândalo da Anac, por acaso a agência responsável pela qualidade dos
aeroportos. O governo popular transforma as agências reguladoras em cabides
para os companheiros e centrais de negociatas, e o contribuinte sofre com a
infraestrutura depenada como se fosse uma catástrofe natural, um efeito do El
Niño. Novamente, nem os generais viveram tão imunes à crítica.
Com a longevidade do PT no Planalto, o assalto ao Estado vai
se sofisticando. A área econômica, que era indevassável à politicagem, hoje tem
a Secretaria do Tesouro devidamente aparelhada - um militante do partido com a
chave do cofre. E tome contabilidade criativa. Definitivamente, o Brasil não
aprendeu nada com a lição do mensalão. Os parasitas progressistas estão aí,
deitando e rolando (de tão gordos), rumo ao quarto mandato consecutivo. Não
contem para o “Financial Times”, mas a conta vai chegar.
Fernando Gabeira: Crônicas do fim do mundo
Feliz fim de mundo dizia a manchete do jornal venezuelano
Tal Cual no dia de dezembro marcado para ser o último, com base no calendário
maia. De certa forma, o mundo acabou e, de tão felizes, não nos demos conta.
Como baratas que sobrevivem ao inverno nuclear, o PMDB
prepara-se para assumir o controle do Congresso Nacional. São os mesmos de
sempre, como diz o personagem de Beckett ao perguntarem quem lhe deu uma surra
na rua.
O calendário de Marco Maia terminou com uma ação importante:
a compra de 1.500 iPads para os deputados. Medida econômica destinada a poupar
montanhas de papel. Acontece que os iPads serão pregados nas mesas. É
compreensível o medo de serem subtraídos. Tantos recursos, conhecimento e
inovação foram gastos para criar uma tecnologia móvel e os deputados vão usá-la
pregada. A esquerda no poder sempre pode argumentar: se a aristocracia
reacionária pregou Cristo na cruz, qual o problema de pregar uma conquista
tecnológica? O problema é que, se fizessem um aplicativo para celular, poderiam
economizar os iPads, montanhas de papel e, naturalmente, os pregos. Todos os
deputados têm celulares e do bolso dos assessores brotam celulares como
dinheiro amassado do bolso dos bicheiros.
Do iPad vamos para o Photoshop. É um programa, com muitas
funções, para tratar imagens. Com o Photoshop, os políticos sempre parecem mais
novos do que sua idade real e as contas, mais arrumadinhas do que autoriza a
crise real. Algumas rugas em forma de débito foram suprimidas. Dizem as
notícias que as manobras feitas pelo governo para formalizar a maquiagem,
mobilizando estatais e o BNDES, deram um prejuízo de R$ 4,7 bilhões, via
mecanismo, forçado pela urgência, de comprar ações na alta e vendê-las na
baixa.
Na energia, Edison Lobão é a cara do fim do mundo. Ele
aconselhou a usar energia à vontade num momento em que os reservatórios estão
baixos, as empresas hidrelétricas se desidratam na Bolsa e as térmicas a todo
vapor emitem milhões de toneladas de gases de efeito estufa. Em todo o mundo, o
conselho dos dirigentes é usar energia com critério e procurar economizá-la
sempre que possível.
Lobão é generoso. Como Dilma, que nos promete uma redução de
20% na conta de luz, nesta conjuntura complicada. Como as térmicas encarecem a
energia, a única saída será subsidiar uma parte da redução. Parte do que Dilma
nos dá com toda a pompa devolvemos silenciosamente ao pagar a conta.
O sistema brasileiro é considerado bom por muitos analistas
do setor. Precisa de investimento e gestão. Hidrelétrica fechada há quase 20
anos e central eólica funcionando sem linhas de transmissão para distribuir a
energia são sinais de desgoverno. Costumo dizer que Barack Obama escolheu um
Prêmio Nobel de Física para a pasta de Energia; quis o destino, graças à
coligação vitoriosa, que nosso ministro fosse Lobão. Os vitoriosos impõem-nos
condições constrangedoras. No passado, decisões brasileiras com repercussão
continental eram pelo menos comunicadas às Comissões de Relações Exteriores do
Congresso. Em alguns casos, falava-se até com a oposição.
A Venezuela está sendo governada por aparelhos. Eles são o
vínculo de Hugo Chávez com a vida. Os chavistas poderiam respeitar a
Constituição e eleger Nicolás Maduro dentro de um mês. Resolveram suprimir esse
caminho, afirmando ser apenas uma formalidade constitucional.
Um assessor especial brasileiro viaja para Havana, discute
com cubanos e venezuelanos e afirma: a posição do Brasil é apoiar o adiamento
das eleições na Venezuela. Os vitoriosos não deveriam poder tudo. A política
externa do Brasil não precisa coincidir totalmente com a do PT. Ela é o
resultado de um pacto com a maioria que elegeu Dilma. E quando se trata de
decisão de peso é preciso ao menos comunicar à oposição.
Marco Aurélio Garcia encarnou o PT, o governo e o Brasil.
Que viagem! Enquanto espera as malas na esteira, proclama: a posição do Brasil
é pelo adiamento das eleições na Venezuela.
Com o esfacelamento da oposição, os vitoriosos deixaram de
fazer política. Desfilam solitários. Um partido substitui o País, que, por sua
vez, é substituído por um assessor especial.
Na crise energética de 2001, fazíamos comissões, íamos ao
Planalto, chamávamos o Pedro Parente, responsável pela gestão do problema, ao
Congresso. Hoje está tudo morto por lá. E o PMDB prepara-se para roer os
escombros. Esses dois momentos em que um setor vital como a energia invade a
agenda revelam a devastadora decadência da política no Brasil.
Aos vencedores, as baratas. Pena que a paisagem na oposição
seja também tão desoladora. O calor do debate político poderia levar-nos a
pensar numa alternativa para tudo isso. A alternativa não é fácil. Os grandes
partidos da oposição parecem não se interessar por ela. No mínimo, estariam se
reunindo, discutindo os temas, lançando notas sobre a energia, a posição do
Brasil nas eleições da Venezuela, a maquiagem das contas públicas.
Se a imprensa se tornou o único setor que questiona tudo
isso, melhor talvez fosse distribuir os iPads aos repórteres. De que vale ser
eleito como oposição e não realizar a tarefa?
Um certo mundo acabou. Ainda não apareceram aquelas brumas
do amanhecer nos rios do Pantanal. Elas nos dão a ilusão de uma nova gênese, um
outro mundo despontando gradualmente da névoa. Não espero nenhum paraíso. É
pedir muito que o Brasil tenha um ministro da Energia à altura da importância
do tema, que a política externa seja mais democraticamente exercida, que as
contas públicas não sejam maquiadas? E que o Congresso funcione, a oposição se
oponha?
Começam pregando iPads, daqui a pouco vão comprar aviões
para a linha de ônibus Madureira-Central do Brasil, desativando sua capacidade
de decolar. Começam com o ministro da Energia estimulando o consumo e, daqui a
pouco, o da Saúde aconselhará a fumar.
O mundo acabou de certa forma. De tão felizes, não
percebemos que está de pernas para o ar.
terça-feira, 15 de janeiro de 2013
Geraldo Almendra: A pior e mais vergonhosa das derrotas
Com a transformação do poder público em um covil de bandidos inaugurou-se no Brasil uma nova era de escravidão em que todos são “obrigados” a trabalhar sem contestação para sustentar vagabundos, corruptos, corruptores e subornadores.
O desgoverno do PT perdeu todo e qualquer respeito pelos princípios legais, morais e éticos e para quem quer que seja, tendo como cúmplices os poderes Legislativo e Judiciário que já são lacaios declarados do poder Executivo com a independência entre os poderes jogadas no lixo.
Quando uma sociedade é submetida a um regime político-social-econômico que coloca a moralidade, a ética, a dignidade, a honra, a honestidade e o patriotismo como valores insignificantes, e em seu lugar passam a predominar forças políticas fundamentadas na corrupção, no suborno, no peculato, na formação de quadrilha, na degeneração de valores familiares e religiosos, e muitas outras ilicitudes, e que têm sua matriz de influência maior dentro do poder público, ficam algumas perguntas a serem respondidas:
- Como isso pode acontecer?
- Como uma sociedade pode aceitar, de forma sistemática, redundante e escancarada, que quem, regiamente sustentados pelos contribuintes, deveriam dar os bons exemplos de posturas legais, políticas e sociais fundamentadas em princípios morais e éticos, sejam justamente aqueles que dão os piores exemplos, servindo de um espelho multifacetado para a degeneração coletiva que são refletidas diariamente nas relações público-privadas?
Quando uma sociedade é subjugada pela força das armas e do derramamento de sangue, o lado derrotado sempre terá o orgulho, a dignidade, e a honra de ter lutado para defender seus ideais e princípios, mesmo que sofra uma derrota temporária, sabendo-se que muitos outros continuarão sua luta.
No entanto, quando uma sociedade é subjugada sem luta ou contestação relevante, aceitando que princípios contrários à honestidade, à moralidade e a ética, estabeleçam um sórdido referencial de posturas em que prevaleça a ilicitude como fundamento, demonstra não mais ter o direito de exigir qualquer coisa diante dos opressores que sempre poderão dar migalhas da preservação de uma vida medíocre para os derrotados, os seus escravos.
A Fraude da Abertura Democrática impôs à sociedade, sem qualquer resistência, a convivência escrava aos mais sórdidos princípios de dominação de um povo: genocídio disfarçado, falência da educação e da cultura, corrupção, suborno, e formação de quadrilha, entre muitos outros instrumentos de controle de revoltas contra aqueles que subjugam o país.
A triste biografia do nosso país já registra que desde a entrega do poder aos civis o povo tem sido vítima de sistemáticos estelionatos eleitorais sem nunca ter reagido ao caminho da destruição futuro de seus filhos e de suas famílias, tudo em nome do poder das oligarquias e burguesias que desfrutam de uma escravidão cada vez maior de quem trabalha mais de cinco meses por ano para sobreviver, e não para viver com conforto e dignidade, o que seria seu direito.
O Brasil está sofrendo a pior das derrotas e das vergonhas perante o mundo, com uma absurda cumplicidade das casernas, deixando-se dominar sem luta e entregue à covardia, à omissão e à cumplicidade compulsória, com seus algozes do Planalto Central, defensores de princípios leninistas e fascistas para manter a dominação da sociedade, desviando bilhões de reais para o enriquecimento ilícito das elites dos corruptos, corruptores e subornados.
O desgoverno do PT perdeu todo e qualquer respeito pelos princípios legais, morais e éticos e para quem quer que seja, tendo como cúmplices os poderes Legislativo e Judiciário que já são lacaios declarados do poder Executivo com a independência entre os poderes jogadas no lixo.
Quando uma sociedade é submetida a um regime político-social-econômico que coloca a moralidade, a ética, a dignidade, a honra, a honestidade e o patriotismo como valores insignificantes, e em seu lugar passam a predominar forças políticas fundamentadas na corrupção, no suborno, no peculato, na formação de quadrilha, na degeneração de valores familiares e religiosos, e muitas outras ilicitudes, e que têm sua matriz de influência maior dentro do poder público, ficam algumas perguntas a serem respondidas:
- Como isso pode acontecer?
- Como uma sociedade pode aceitar, de forma sistemática, redundante e escancarada, que quem, regiamente sustentados pelos contribuintes, deveriam dar os bons exemplos de posturas legais, políticas e sociais fundamentadas em princípios morais e éticos, sejam justamente aqueles que dão os piores exemplos, servindo de um espelho multifacetado para a degeneração coletiva que são refletidas diariamente nas relações público-privadas?
Quando uma sociedade é subjugada pela força das armas e do derramamento de sangue, o lado derrotado sempre terá o orgulho, a dignidade, e a honra de ter lutado para defender seus ideais e princípios, mesmo que sofra uma derrota temporária, sabendo-se que muitos outros continuarão sua luta.
No entanto, quando uma sociedade é subjugada sem luta ou contestação relevante, aceitando que princípios contrários à honestidade, à moralidade e a ética, estabeleçam um sórdido referencial de posturas em que prevaleça a ilicitude como fundamento, demonstra não mais ter o direito de exigir qualquer coisa diante dos opressores que sempre poderão dar migalhas da preservação de uma vida medíocre para os derrotados, os seus escravos.
A Fraude da Abertura Democrática impôs à sociedade, sem qualquer resistência, a convivência escrava aos mais sórdidos princípios de dominação de um povo: genocídio disfarçado, falência da educação e da cultura, corrupção, suborno, e formação de quadrilha, entre muitos outros instrumentos de controle de revoltas contra aqueles que subjugam o país.
A triste biografia do nosso país já registra que desde a entrega do poder aos civis o povo tem sido vítima de sistemáticos estelionatos eleitorais sem nunca ter reagido ao caminho da destruição futuro de seus filhos e de suas famílias, tudo em nome do poder das oligarquias e burguesias que desfrutam de uma escravidão cada vez maior de quem trabalha mais de cinco meses por ano para sobreviver, e não para viver com conforto e dignidade, o que seria seu direito.
O Brasil está sofrendo a pior das derrotas e das vergonhas perante o mundo, com uma absurda cumplicidade das casernas, deixando-se dominar sem luta e entregue à covardia, à omissão e à cumplicidade compulsória, com seus algozes do Planalto Central, defensores de princípios leninistas e fascistas para manter a dominação da sociedade, desviando bilhões de reais para o enriquecimento ilícito das elites dos corruptos, corruptores e subornados.
sábado, 12 de janeiro de 2013
Olavo de Carvalho: Duas Notas
Thomas Sowell dizia: “Nunca entendi por que é ‘ganância’
você querer conservar o dinheiro que ganhou, mas não é ganância querer tomar o
dinheiro dos outros.” Mutatis mutandis, a obrigação moral que os ricos têm de
ajudar os pobres, mesmo quando seja tomada em sentido absoluto e intransigente,
não implica jamais que os pobres tenham o “direito” de ser ajudados.
Todo direito de um implica obrigações para algum outro, mas
nem toda obrigação que pese sobre alguém gera direitos para quem quer que seja.
A razão disso é simples e auto-evidente: toda e qualquer
obrigação moral ou legal é relativa porque limitada à disponibilidade de meios,
ao passo que um “direito”, uma vez consagrado, é universal e incondicional.
Decretado que os pobres têm “direito” à ajuda estatal ou privada, a simples
inexistência dos meios de ajudá-los se torna automaticamente algo como uma
ilegalidade ou um crime, e a sociedade inteira, quanto mais pobre, tanto mais
merecerá o rótulo de criminosa, de modo que a pobreza de uns será uma espécie
de mérito e a de todos um delito abominável. Se isto está muito sintético,
analisem e verão que é certo.
Da incompreensão
dessa obviedade deriva a noção monstruosamente perversa de que uma sociedade
onde haja pobres, ou muitos pobres, é uma “sociedade injusta”. Em princípio, e
à luz da razão, toda obrigação moral ou legal está condicionada à regra áurea
do Direito: Ad impossibilia nemo tenetur, “ninguém é obrigado ao impossível”.
Por isso mesmo a obrigação de ajudar os pobres não dá a estes nenhum direito de
exigi-la. A absurdidade dessa exigência aparece nítida no delírio de Luís da
Silva no romance Angústia de Graciliano Ramos:
“Há criaturas que não suporto. Os vagabundos, por exemplo.
Parece-me que eles cresceram muito, e, aproximando-se de mim, não vão gemer
peditórios: vão gritar, exigir, tomar-me qualquer coisa.”
E Luís da Silva não é nenhum burguês atemorizado ante a
revolta dos infelizes. É ele mesmo um pobretão ressentido, sem dinheiro para o
aluguel. Só no mundo das alucinações a pobreza é, por si, fonte de direitos.
Antigamente, até os marxistas compreendiam isso. Julgavam
que o proletariado industrial tinha o direito de expropriar a burguesia não
pelo simples fato de ser pobre, mas por ser o criador material da riqueza
social. A horda de miseráveis improdutivos, o Lumpenproletariat, não lhes
merecia senão desprezo. É o óbvio dos óbvios: ninguém se torna um “expoliado” pelo
simples fato de estar sem dinheiro. Para ser um expoliado é preciso produzir
primeiro alguma coisa e depois ser despojado dela injustamente. Como o
proletariado se recusou a aderir às revoluções, os teóricos do marxismo
promoveram a escória lumpenproletária ao estatuto de credora universal e
portadora, ipso facto, da autoridade intrínseca das virtudes morais faltantes
ao resto da sociedade. Daí ao endeusamento dos delinqüentes o passo é bem
curto.
Da insensibilidade a esses fatos vem a noção de “dívida
social”. Qualquer candidato que proponha a sua eleição como o pagamento de uma
dívida social é, com toda a evidência, um charlatão do qual não se pode esperar
nada de bom. Se a dívida existe e é social, não pode ser jamais resgatada
mediante pagamento a um só indivíduo. O fato mesmo de que este se apresente
como credor simbólico, herdeiro e resumo vivo de várias gerações de interesses
lesados, já mostra que se trata de um vigarista, pois nem aceita pagamento
simbólico nem tem como repassar o pagamento efetivo aos credores defuntos de
cujo crédito se apropria indevidamente.
Todo eleitor em seu juízo perfeito deveria pensar nisso
antes de votar em tipos como Luís Inácio Lula da Silva ou Barack Hussein Obama.
Mas, tão logo a pobreza se torna fonte de “direitos”, é inevitável que o
carreirista desprovido de méritos próprios se invista de prerrogativas
imaginárias derivadas da pobreza alheia, impondo-se como recebedor único da
“dívida social” -- um vigarista elevado à segunda potência.
***
Se esbarrasse na rua com algum dos nossos políticos ditos
“de direita”, eu lhe perguntaria o seguinte: “Você quer destruir a esquerda,
destrui-la politicamente, socialmente, culturalmente, de modo que ela nunca
mais se levante e que ser esquerdista se torne uma vergonha que ninguém ouse
confessar em público?”
Tenho a certeza de que a resposta do desgraçado será “Não”,
e virá provavelmente acompanhada das usuais caretas de repugnância fingida com
que os bons meninos da direita marcam sua distância de todo “extremismo”.
Bem, o fato é que aquilo que a direita não quer fazer com a
esquerda é o que a esquerda já fez com a direita.
Afinal, só quem precisa ostentar moderação é quem se
envergonha da sua própria opinião ao ponto de admitir, cabisbaixo e submisso,
que ela só vale alguma coisa quando usada em doses moderadas. Em doses
moderadas, filhinho, até a estricnina vale alguma coisa. Só o que é
indiscutivelmente bom, como a inteligência, a beleza, a santidade ou a saúde,
vale tanto mais quanto maior a dose. A esquerda conseguiu convencer até os
direitistas de que nenhuma dose de esquerdismo é excessiva, tanto que o sr.
Luis Inácio Lula, vendendo uma imagem de moderado, não se vexava de presidir o
Foro de São Paulo de maozinhas dadas com um notório extremista, assassino e
narcotraficante, o sr. Manuel Marulanda, nem muito menos se esquivou jamais de
fazer parceria com o sr. Fidel Castro, que é o extremismo de esquerda
encarnado.
Já os homens “da direita” – digo “homens” cum grano salis –
prefeririam antes morrer do que ser vistos ao lado de alguém que lhes pareça
mais direitista que eles.
sexta-feira, 4 de janeiro de 2013
Nelson Motta: Coices e relinchos
A maneira mais estúpida, autoritária e desonesta de
responder a alguma crítica é tentar desqualificar quem critica, porque revela a
incapacidade de rebatê-la com argumentos e fatos, ideias e inteligência. A
prática dos coices e relinchos verbais serve para esconder sentimentos de
inferioridade e mascarar erros e intenções, mas é uma das mais populares e
nefastas na atual discussão politica no Brasil.
A outra é responder acusando o adversário de já ter feito o
mesmo, ou pior, e ter ficado impune. São formas primitivas e grosseiras de
expressão na luta pelo poder, nivelando pela baixaria, e vai perder tempo quem
tentar impor alguma racionalidade e educação ao debate digital.
Nem nos mais passionais bate-bocas sobre futebol alguém
apela para a desqualificação pessoal, por inutilidade. Ser conservador ou
liberal, gay ou hetero, honesto ou ladrão, preto ou branco, petista ou tucano,
não vai fazer o gol não ser em impedimento, ser ou não ser pênalti. Numa
metáfora de sabor lulístico, a politica é que está virando um Fla x Flu movido
pelos instintos mais primitivos.
Na semana passada, Ferreira Gullar, considerado quase
unanimemente o maior poeta vivo do Brasil, publicou na “Folha de S.Paulo” uma
crônica criticando o mito Lula com dureza e argumentos, mas sem ofensas nem
mentiras. Reproduzida em um “site progressista”, com o habitual patrocínio
estatal, a crônica foi escoiceada pela militância digital.
Ler os cento e poucos comentários, a maioria das mesmas
pessoas, escondidas sob nomes diferentes, exigiria uma máscara contra gases e
adicional de insalubridade, mas uma pequena parte basta para revelar o todo.
Acusavam Gullar, ex-comunista, de ter se vendido, porque alguém só pode mudar
de ideia se levar dinheiro, relinchavam sobre a sua idade, sua saúde, sua virilidade,
sua aparência, sua inteligencia, e até a sua poesia. E ninguém respondia a um
só de seus argumentos.
Mas quem os lê? Só eles mesmos e seus companheiros de seita.
E eu, em missão de pesquisa antropológica. Coitados, esses pobres diabos vão
morrer sem ter lido um só verso de Gullar, sem saber o que perderam.
quarta-feira, 2 de janeiro de 2013
Luiz Eduardo da Rocha Paiva: Amazônia: “A Marcha da Insensatez”
Do site Alerta Total
Nos anos 1980, a historiadora Barbara Tuchman publicou o
livro A Marcha da Insensatez – de Troia ao Vietnam, um best-seller mundial. Ela
usou eventos históricos para mostrar como governantes criam condições objetivas
para futuros desastres quando decidem movidos por ambições políticas e
vaidades, sem compromisso com os anseios e necessidades de seus povos e nações.
Insensatez qualifica a política impatriótica dos últimos
governos brasileiros, na Amazônia, mesmo cientes da secular cobiça de potências
estrangeiras, manifestada em sucessivas tentativas de suprimir ou limitar a
nossa soberania na região. Em 1817, Mathew Fawry, oficial da Marinha dos EUA,
propôs a separação da Amazônia do Brasil e, em 1904, a Questão do Pirara
resultou na perda de 19.600 Km2 do território nacional para a Guiana Inglesa,
então colônia britânica. São apenas dois de muitos exemplos dessa cobiça.
A partir dos anos 1990 com a queda da URSS, os aliados da
OTAN não tinham mais ameaça militar a seus territórios, ganhando liberdade de
ação para se projetar em âmbito global. Cunharam então o conceito de novas
ameaças, na verdade meros pretextos para justificar a expansão e impor
globalmente seus interesses. Aí se insere a questão indígena. Líderes mundiais
propuseram publicamente a ingerência internacional no aproveitamento das
riquezas dos espaços pouco explorados de outras nações, tendo estadistas como
Mitterand (1989), John Major (1992) e Gorbachov (1992) citado nominalmente a
Amazônia. Hoje, as potências estrangeiras são mais sutis, usando ONGs, grupos privados
e organismos internacionais como a OEA e a ONU na vanguarda, para pressionar
pela autonomia das terras indígenas (TIs) brasileiras e impedir projetos
nacionais de desenvolvimento na região. Querem preservar hoje para explorar
amanhã, impondo acesso privilegiado aos recursos amazônicos à revelia dos
interesses e direitos brasileiros.
Essa marcha da insensatez começou com a demarcação da TI
Ianomâmi (1991) e prosseguiu com as do Alto Rio Negro (1998), Vale do Javari
(2001), Tumucumaque (2002), Raposa Serra do Sol (2005) e Trombetas-Mapuera
(2008) que cobriram, perigosamente, a fronteira ao norte e a sudoeste do rio
Amazonas. Todas nos governos Collor, FHC e Lula. Em todo o Brasil, 608 TIs já
ocupam 13% do território nacional, área igual às do Rio Grande do Sul, Santa
Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo e sul de Minas
Gerais somadas. Tudo para apenas 600 mil indígenas, separados dos 200 milhões
de irmãos brasileiros pela política segregacionista de governos também
complacentes com a campanha desnacionalizadora e separatista de ONGs
estrangeiras em TIs, temerosos de reações internacionais.
A marcha avançou em 2007 quando o governo votou pela
Declaração dos Direitos dos Povos Indígenas na ONU, aceitando que eles tenham
autogoverno, autodeterminação, instituições políticas e sistemas jurídicos
próprios, constituam nações indígenas e vetem atividades militares e medidas de
governo nas TIs. É autonomia superior à dos estados da Federação e, com 608
TIs, como ficará a governabilidade do País? O artigo 42 da Declaração prevê
intervenção internacional para obrigar o seu cumprimento, agredindo soberanias
e tornando inócuo o artigo 46 e suas fantasiosas garantias de integridade
territorial e unidade política dos Estados. Estas se tornaram ilusórias para o
Brasil após limitar a própria soberania reconhecendo, em seu interior, 608
nações indígenas, estrangeiras para a comunidade global que não reconhece o
índio como brasileiro.
Os indígenas já podem exigir o cumprimento da Declaração. Se
não forem atendidos e se revoltarem, havendo repressão do governo, solicitariam
a intervenção da ONU com base em Resolução de 2005 – “Responsabilidade de
Proteger”. Povo, território, nação e instituições políticas praticamente formam
um estado-nação.
A marcha foi reforçada, mais uma vez pelo governo, ao lançar
o Programa Nacional de Direitos Humanos (2009), onde preconiza tornar
constitucionais os instrumentos internacionais de direitos humanos não
ratificados pelo Congresso Nacional. Se isso acontecer, caem as 18 ressalvas
constantes na decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a demarcação da
TI Raposa Serra do Sol, que resguardam a soberania nacional em todas as TIs.
A Portaria nº 303/2012 da AGU, que regulamentaria essas
ressalvas, foi suspensa pelo ministro da Justiça após as pressões de praxe. Uma
decisão da mais alta Corte do País contestada com êxito por ONGs estrangeiras e
movimentos internos. Um absurdo!
O senador roraimense Mozarildo Cavalcanti (Diário do Senado
Federal, 23-09-2005, p. 31758) condenou a demarcação da TI Raposa Serra do Sol
em terras contínuas e evidenciou a pressão internacional, reconhecida pelo
então Presidente da República. Disse o senador: “O Presidente Lula, na última
audiência em que tive com Sua Excelência, o Senador Augusto Botelho presente, o
Governador do Estado, os deputados (---) perguntou: quantos eleitores têm em
Roraima? (---) Sua Excelência balançou a cabeça e disse que estava sendo
pressionado pela USP, pela OEA, pelas ONGs europeias”.
A propósito, o Príncipe Charles, criador da ONG Prince's
Rainforests Project, que promoveu diversos encontros na Europa com lideranças
indígenas e políticos brasileiros, defendendo aquela demarcação em terras
contínuas, foi recebido pelo Presidente de República às vésperas da reunião
decisória do STF sobre o tema em março de 2009. Coincidência ou pressão?
A soberania na Amazônia já é limitada, de fato, coroando a
marcha da insensatez empreendida por lideranças que colocaram projetos pessoais
e vaidades acima do interesse nacional ou, com espírito mercantilista,
negociaram soberania pensando gerar retorno econômico-financeiro ao País como
se dignidade nacional fosse mercadoria de troca. A Nação, omissa, também é
responsável.
Luiz Eduardo Rocha Paiva, General na Reserva, é Professor
emérito e ex-comandante da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército.
sexta-feira, 28 de dezembro de 2012
Marco Antonio Villa: [Maranhão] O Estado do medo
Em meio ao processo do mensalão, as diversas operações da
Polícia Federal ou a turbulenta relação entre os poderes da República, o Brasil
esqueceu do Maranhão. Na fase final da guerra contra Canudos, em 1897, os
oficiais militares costumavam dizer que não viam a hora de voltar para o
Brasil. Quem hoje visita o Maranhão fica com a mesma impressão. É um estado
onde o medo está em cada esquina, onde as leis da República são desprezadas. Lá
tudo depende de um sobrenome: Sarney. Os três poderes são controlados pela
família do, como diria Euclides da Cunha, senhor do baraço e do cutelo. A
relação incestuosa dos poderes é considerada como algo absolutamente natural.
Tanto que, em 2009, o Tribunal Regional Eleitoral anulou a eleição para o
governo estadual. O vencedor foi Jackson Lago, adversário figadal da oligarquia
mais nefasta da história do Brasil. O donatário da capitania ─ lá ainda se
mantém informalmente o regime adotado em 1534 por D. João III ─ ficou indignado
com o resultado das urnas. A eleição acabou anulada pelo TRE, que tinha como
vice-presidente (depois assumiu a presidência) a tia da beneficiária, Roseana
Sarney.
No estado onde o coronel tudo pode, a Constituição Federal é
só um enfeite. Lá, diversos artigos que vigoram em todo o Brasil, são considerados
nulos, pela jurisprudência da famiglia . O artigo 37 da nossa Constituição,
tanto no caput como no §1º, é muito claro. Reza que a administração pública
“obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade,
publicidade e eficiência” e “a publicidade dos atos, programas, obras, serviços
e campanhas dos órgãos públicos deverá ter caráter educativo, informativo ou de
orientação social, dela não podendo constar nomes, símbolos ou imagens que
caracterizem promoção pessoal de autoridades ou servidores públicos”. Contudo,
a Constituição maranhense, no artigo 19, XXI, § 9º determina que “é proibida a
denominação de obras e logradouros públicos com o nome de pessoas vivas,
excetuando-se da aplicação deste dispositivo as pessoas vivas consagradas notória
e internacionalmente como ilustres ou que tenham prestado relevantes serviços à
comunidade na qual está localizada a obra ou logradouro”.
Note, leitor, especialmente a seguinte passagem:
“excetuando-se da aplicação deste dispositivo as pessoas vivas e consagradas
notória e internacionalmente como ilustres”. Nem preciso dizer quem é o “mais
ilustre” daquele estado ─ e que o provincianismo e o mandonismo imaginam que
tenha “consagração internacional.” Contudo, a redação original do artigo era
bem outra: “É vedada a alteração dos nomes dos próprios públicos estaduais e
municipais que contenham nome de pessoas, fatos históricos ou geográficos,
salvo para correção ou adequação nos termos da lei; é vedada também a inscrição
de símbolos ou nomes de autoridades ou administradores em placas indicadores de
obras ou em veículos de propriedade ou a serviço da administração pública
direta, indireta ou fundacional do Estado e dos Municípios, inclusive a
atribuição de nome de pessoa viva a bem público de qualquer natureza
pertencente ao Estado e ao Município”. Quando foi feita a mudança? A 24 de
janeiro de 2003, com o apoio decisivo de Roseana Sarney. Desta forma foi
permitido que centenas ─ centenas, sem exagero ─ de logradouros e edifícios
públicos recebessem, em todo o estado, denominações de familiares,
especialmente do chefe. Para mostrar o desprezo pela ordem legal, em 1997 foi
criado o município de Presidente Sarney, isto quando a Constituição Federal
proíbe e a estadual ainda proibia. Quem criou o município? Foi a filha, no
exercício do governo. Mas a homenagem ficou somente na denominação do
município. Pena. Os pobres sarneyenses ─ é o gentílico ─ vivem em condições
miseráveis: é um dos municípios que detêm os piores índices de desenvolvimento
humano no Brasil.
Como o Brasil esqueceu o Maranhão, a família faz o que bem
entende. E isto desde 1965! Sabe que adquiriu impunidade pelo silêncio
(cúmplice) dos brasileiros. Mas, no estado onde a política se confunde com o
realismo fantástico, o maior equívoco é imaginar que todas as mazelas já foram
feitas. Não, absolutamente não. A governadora resolveu fazer uma lei própria
sobre licitação. Como é sabido, a lei federal 8.666 regulamenta e tenta
moralizar as licitações. Mas não no Maranhão. Por medida provisória, Roseana Sarney
adotou uma legislação peculiar, que dispensa a “emergência”, substituída pela
“urgência”. Quem determina se é ou não urgente? Bingo, claro, é ela própria.
Não satisfeita resolveu eliminar qualquer restrição ao número de aditivos. Ou
seja, uma obra pode custar o dobro do que foi contratada. E é tudo legal. Não é
um chiste. É algo gravíssimo. E se o Brasil fosse um país sério, certamente
teria ocorrido, como dispõe a Constituição, uma intervenção federal. O que lá
ocorre horroriza todos aqueles que tem apreço por uma conquista histórica do
povo brasileiro: o Estado Democrático de Direito.
O silêncio do Brasil custa caro, muito caro, ao povo do
Maranhão. Hoje é o estado mais pobre da Federação. Seus municípios lideram a
lista dos que detém os piores índices de desenvolvimento humano. Muitos dos que
lá vivem lutam contra os promotores do Estado do medo. Não é tarefa fácil. Os
tentáculos da oligarquia estão presentes em toda a sociedade. É como se
apresassem para sempre a sociedade civil. Sabemos que o país tem inúmeros
problemas, mas temos uma tarefa cívica, a de reincorporar o Maranhão ao Brasil.
domingo, 23 de dezembro de 2012
Fernando Gabeira: Mexeu com a igualdade, mexeu com todo mundo
O sucesso do filme Lincoln, de Steve Spielberg, inspirou uma
série de artigos nos Estados Unidos ressaltando a importância da política,
quando é realizada por pessoas generosas com o objetivo de melhorar a vida de
milhões.
Os articulistas esperam que a exibição do filme leve os
espectadores a lamentar a mediocridade da atmosfera política de hoje e que
desperte o desejo de elevar seu nível por meio da própria participação.
Não vi o filme, apenas as entrevistas de Spielberg e de
Daniel Day-Lewis, que interpreta Lincoln. Consegui, entretanto, o livro que, de
certa forma, inspirou o filme: Team of Rivals, The Political Genius of Abraham
Lincoln, de Doris Kearns Goodwin. A autora se estende também na biografia dos
três candidatos que disputaram com Lincoln no Partido Republicano. Todos jovens
ambiciosos e capazes, admirados pelos seus eleitores.
Não posso prever que efeito o filme terá nos Estados Unidos.
Noto apenas que a época empurrava para a grandeza: todos saíram de casa e
cruzaram os Estados Unidos para construir sua carreira. E havia um grande tema
esperando por eles: a escravidão.
Os grandes temas ajudam, quando os políticos são capazes.
Joaquim Nabuco, no Brasil, enriqueceu sua trajetória na luta contra a
escravidão. Lincoln é produto de outra cultura e se insere de modo especial no
momento político americano. Mas, como a reflexão sobre a política trata de
variáveis universais, pode ser que desperte algum interesse no Brasil.
Vivemos um momento estranho. Dois presidentes, José Sarney e
Lula, defendem-se reciprocamente com o argumento de que estão acima de
suspeitas ou investigações. Sarney conferiu a Lula a condição de inalcançável e
este, por sua vez, no auge do escândalo no Senado, afirmou que Sarney não
deveria ser tratado como uma pessoa qualquer. Criaram uma irmandade dos
intocáveis. Sarney já tem um museu dedicado à sua vida; Lula está a caminho de
construir o seu.
Além de intocável e com um museu ainda em vida, Sarney
também é imortal. Essa condição ainda falta a Lula, mas não me surpreenderia se
o amigo conseguisse para ele uma cadeira na Academia de Letras.
Na década de 1960, escrevi um artigo ironizando as pessoas
que se achavam especiais porque moravam em Ipanema. Até hoje rola pela
internet. Jovem existencialista, mostrava a futilidade de se julgar especial
por pertencer a algum lugar ou grupo ou mesmo por alguma condição nata. Era a
forma de negar a importância das opções cotidianas, a construção de nossa
realidade por meio das escolhas mais intrincadas. Sarney e Lula não reivindicam
uma vantagem nata, muitos menos a que decorre do pertencimento a um grupo ou
lugar. Eles se reclamam intocáveis pelos serviços prestados ao país. E nisso
reside seu erro monumental. Não existem serviços prestados ao País que possam
garantir uma condição acima de qualquer suspeita. E, se foram prestados com
essa expectativa, corrompem as suas próprias intenções generosas.
Sarney e Lula fizeram nesse aspecto particular um pacto pelo
atraso. Com o domínio do Congresso que o primeiro exerce e a popularidade do
segundo, continuam com potencial de mobilizar a maioria. Mas sempre existirá
uma minoria, resistindo com a frase tantas vezes subversiva: somos todos iguais
perante a lei.
Compreendo que há uma luta política. Os governistas precisam
proteger a imagem de Lula, pois ela é a garantia de futuras vitórias
eleitorais. O desgaste de Lula enfraquece um projeto de poder.
Não compreendo, entretanto, o argumento que nos faz
retroceder ao período anterior à Revolução Francesa. Esse desejo de poder
estendido ao controle da biografia, da inevitabilidade da morte, do alcance da
lei, é um desejo patético.
Mesmo aqueles que acham que o mundo começou com o nascimento
de Lula, em Garanhuns (PE), ou com o nascimento de José Ribamar, em Pinheiro
(MA), deveriam ser sensíveis à bandeira da igualdade.
A fraternidade dos intocáveis é uma construção mental que
rebaixa as conquistas do movimento pela democratização no Brasil e nos divide
entre semideuses e seres humanos.
Na verdade, o argumento dos dois presidentes aprofunda a
desconfiança na política e nos políticos. Por isso a chegada de Lincoln, o filme,
apesar de uma cultura e uma época diferentes, pode ser um pequeno sopro de ar
fresco na sufocante atmosfera política brasileira.
Nem nos Estados Unidos nem aqui é possível repetir a
grandeza política de Lincoln. Já no segundo capítulo do livro de Doris Goodwin
é possível imaginar como Lincoln brigaria feio com os marqueteiros modernos:
ele se recusava a dramatizar ou sentimentalizar sua infância na pobreza.
Ainda assim, com todas as ressalvas, precisamos de outras
épocas, outros líderes, para ao menos desejar algo melhor do que o que estamos
vivendo. Não me refiro, aqui, à satisfação majoritária com as condições
materiais de vida. Muito menos quero dar à trajetória democrática no século 21
a dramaticidade de um tempo de guerra e escravidão.
Quando um presidente do Brasil diz uma barbaridade, sentimos
muito. Quando dois presidentes dizem a mesma barbaridade, isso nos obriga a
apelar para tudo, até para um bom cinema.
Depois do cha cha cha della secretaria, Lula se vê em apuros
com as denúncias de Marcos Valério. Concordo com os petistas de que não se deva
confiar nele, embora tenham confiado tão profundamente em 2003. Mas a melhor
maneira de desconfiar é analisar as acusações, apurando-as com cuidado. É assim
que se descobre o que é verdade e o que é mentira.
Fora disso, só construindo uma redoma onde Lula e Sarney
possam estar a salvo dos percalços que ameaçam os simples mortais. E criar essa
visão religiosa de uma santíssima dualidade. E ninguém se ajoelha e reza diante
dela, porque a ferramenta hoje não é oração do passado. Basta um #tag.
Se Sarney e Lula se contentassem com um museu e a condição
de imortais, tudo estaria bem. Mas, mexeu com a igualdade, mexeu com todos nós.
sábado, 22 de dezembro de 2012
Guilherme Fiúza: Rose do Lula é a mulher do ano.
Nesses tempos de devoção às minorias, não é justo deixar de
destacar a contribuição de Rosemary Noronha para a causa feminina. O Brasil
progressista explode de orgulho por ser governado por uma mulher — que aliás
deu a Rosemary sua chance de brilhar — e não pode agora se esquecer de
reverenciar mais uma expoente do gênero. Assim como Dilma, Rose chegou lá. O
fato de estar enrolada com a polícia é um detalhe.
Rose e Dilma escreveram seus nomes na história do Brasil por
serem, ambas, utensílios de Lula. A finalidade de cada uma para o ex-presidente
não vem ao caso. O que importa é que ambas funcionaram muito bem. Como se nota
pelo ufanismo nacional em torno de Dilma, não se espera mais da mulher moderna
opinião própria, autonomia e iniciativa. Basta botar um tailleur vermelho, um
colar de pérolas e decorar suas falas. E muito importante: falar o mínimo, para
errar pouco. Até outro dia isso era piada entre Miguel Falabella e Marisa Orth
(“cala a boca, Magda!”). Hoje é sinal de poder.
O grande símbolo feminino brasileiro da atualidade, que
desperta a admiração de Jane Fonda — que tempos! — não tinha feito nada de
extraordinário na vida até ser levada pela mão do padrinho ao topo. O feminismo
realmente mudou muito.
Lá chegando, seu maior mérito foi usar vestido e não ser o
Lula (para os que não suportavam mais o ogro bravateiro), ou ser o Lula de
vestido (para os que seguem venerando o filho do Brasil). Sem nenhum plano de
governo, com um ministério fisiológico de cabo a rabo, sem um mísero ato de
estadista em dois anos de mandato, Dilma se destaca por ser ou não ser Lula,
dependendo do ponto de vista. É a apoteose da nulidade, que o Brasil
progressista e feminista consagra com aprovação recorde.
Diante desses novos valores, seria injusto não consagrar
Rosemary também. A representante da Presidência da República em São Paulo fez
exatamente o que Dilma fez em Brasília: cacifada por Lula, passou a reger o
parasitismo do PT, cuidando da nomeação de companheiros e dando blindagem
política às suas peripécias para sucção do Estado.
No caso de Dilma, a grande orquestra fisiológica foi
desmoronando ao vivo, com nada menos que sete ministros nomeados (e protegidos
até o fim) por ela caindo de podres, graças à ação da imprensa. A mulher-modelo
de Jane Fonda ainda havia parido uma Erenice, a quem preparava para ser a dama
de ferro de seu governo (Jane não pode imaginar o que seria isso) — derrubada
por fazer na Casa Civil algo muito parecido com as operações fantásticas de
Rosemary. Até o uso da Anac como balcão de negócios se repetiu. Por que só
Dilma é ícone feminino, se Rosemary mostrou ser um prodígio da mesma escola?
Por algum mistério insondável, a Polícia Federal não fez
escutas nos telefones de Rose, ou diz que não fez. As conversas da mulher que
regia uma quadrilha grudada em Lula, se apresentando como sua namorada, e que
tramou até sabotagem ao julgamento do mensalão — o mesmo que Lula tentara com
Gilmar Mendes — não interessou aos investigadores. O ministro da Justiça, José
Eduardo Cardozo, disse que não havia motivos para grampear Rosemary — uma
suspeita que está impedida pela Justiça de sair de sua cidade. Esses ministros
farsescos do PT podiam ao menos ser mais criativos. Mas não precisa, porque o
Brasil engole qualquer coisa.
Marcos Valério disse que Lula teve despesas pagas pelo
esquema do mensalão e autorizou operações bancárias do valerioduto. É comovente
a desimportância atual dessas declarações. Lula é o líder de um projeto
político montado para a permanência no poder a qualquer custo — e essa fraude
está exaustivamente demonstrada pelo mensalão, por Dirceu, Erenice, Palocci,
Pimentel, aloprados, Rosemary e praticamente todo o estado-maior petista, tanto
de Lula quanto de Dilma, flagrados em tráfico de influência para se aferrar ao
poder na marra. O que mais é preciso denunciar?
O eleitor brasileiro está brincando com fogo. Enquanto o
desemprego estiver baixo, vai continuar afiançando a fraude que finge não ver.
O país vai sendo empurrado com a barriga pelos fisiológicos — e essa conta vai
chegar. O governo desistiu de controlar a inflação, que vai se afastando da
meta (apesar da mudança de cálculo que reduziu o índice). A gastança pública é
disfarçada com truques contábeis para esconder o déficit. A arrecadação brutal banca
a farra dos companheiros, sem sobra para investimentos decentes — e tome
literatura de trem-bala e tarifas mentirosas de energia, que já multiplicam os
apagões por manutenção precária.
Como se viu na funesta CPI do Cachoeira, a mafiosa Delta
comandava o planejamento da infraestrutura terrestre. Mas está tudo bem, e oito
governadores podem ir de cara limpa prestigiar Lula e sua democracia de
aluguel. Se este é o país que queremos, Rosemary é a mulher do ano.
quinta-feira, 13 de dezembro de 2012
Guilherme Fiúza: Parelha Lewandowski-Toffoli e a "revolução companheira"
Os ministros do Supremo Tribunal Federal Ricardo Lewandowski
e Dias Toffoli são a prova viva de que a revolução companheira triunfará. Dois
advogados medíocres, cultivados à sombra do poder petista para chegar onde
chegaram, eles ainda poderão render a Luiz Inácio da Silva o Nobel de Química:
possivelmente seja o primeiro caso comprovado de juízes de laboratório. No
julgamento do mensalão, a atuação das duas criaturas do PT vem provar, ao vivo,
que o Brasil não precisa ter a menor inveja do chavismo. Alguns inocentes
chegaram a acreditar que Dias Toffoli se declararia impedido de votar no
processo do mensalão, por ter advogado para o PT durante anos a fio. Participar
do julgamento seria muita cara de pau, dizia-se nos bastidores. Ora, essa é
justamente a especialidade da casa. Como um sujeito que só chegou à corte
suprema para obedecer a um partido iria, na hora h, abandonar sua missão
fisiológica? A desinibição do companheiro não é pouca. Quando se deu o
escândalo do mensalão, Dias Toffoli era nada menos do que subchefe da
assessoria jurídica de José Dirceu na Casa Civil. Os empréstimos fictícios e
contratos fantasmas pilotados por Marcos Valério, que segundo o processo eram
coordenados exatamente da Casa Civil, estavam portanto sob as barbas
bolivarianas de Dias Toffoli. O ministro está julgando um processo no qual
poderia até ser réu.
A desenvoltura da dupla Lewandowski-Toffoli, com seus
cochichos em plenário e votos certeiros, como na absolvição ao companheiro
condenado João Paulo Cunha, deixariam Hugo Chávez babando de inveja. O ditador
democrata da Venezuela nem precisa disso, mas quem não gostaria de ter em casa
juízes de estimação? A cena dos dois ministros teleguiados conchavando na corte
pela causa petista, como super-heróis partidários debaixo de suas capas pretas,
não deixa dúvidas: é a dupla Batman e Robin do fisiologismo. Santa desfaçatez.
Já que o aparelhamento das instituições é inevitável, e que um dia seremos
todos julgados por juízes de estrelinha na lapela, será que não dava para o
estado-maior petista dar uma caprichada na escolha dos interventores? Seria
coincidência, ou esses funcionários da revolução têm como pré-requisito a
mediocridade?
Como se sabe, antes da varinha de condão de Dirceu, Dias
Toffoli tentou ser juiz duas vezes em São Paulo e foi reprovado em ambas. Aí
sua veia revolucionária foi descoberta e ele não precisou mais entrar em
concursos – essa instituição pequeno-burguesa que só serve para atrasar os
visionários. Graças ao petismo, Toffoli foi ser procurador no Amapá, e depois de
advogar em campanhas eleitorais do partido alçou voo à Advocacia-Geral da União
– porque lealdade não tem preço e o Estado são eles. É claro que uma carreira
brilhante dessas tinha que acabar no Supremo Tribunal Federal.
O advogado Lewandowski vivia de empregos na máquina
municipal de São Bernardo do Campo. Aqui, um parêntese: está provado que as
máquinas administrativas loteadas politicamente têm o poder de transformar
militantes medíocres em grandes personalidades nacionais – como comprova a
carreira igualmente impressionante de Dilma Rousseff. Lewandowski virou juiz
com uma mãozinha do doutor Márcio Thomaz Bastos, ex-advogado de Carlinhos
Cachoeira, que enxergou o potencial do amigo da família de Marisa Letícia,
esposa do bacharel Luiz Inácio. Desembargador obscuro, sem nenhum acórdão digno
de citação em processos relevantes, Lewandowski reuniu portanto as credenciais
exatas para ocupar uma cadeira na mais alta esfera da Justiça brasileira. Suas
diversas manobras para tumultuar o julgamento do mensalão enchem de orgulho
seus padrinhos. A estratégia de fuzilar o cachorro morto Marcos Valério, para
depois parecer independente ao inocentar o mensaleiro João Paulo, certamente
passará à antologia do Supremo – como um marco da nova Justiça com prótese
partidária.
O julgamento prossegue, e os juízes do PT no STF sabem que o
que está em jogo é a integridade (sic) do esquema de revezamento Lula-Dilma no
Planalto. Dependendo da quantidade de cabeças cortadas, a platéia pode começar
a sentir o cheiro dos subterrâneos da hegemonia petista. Batman e Robin darão o
melhor de si.
terça-feira, 11 de dezembro de 2012
Lula deu ‘ok’ a empréstimos do mensalão e recebeu de esquema, diz Valério. E agora, apedeuta?
O texto é longo, mas vale a pena. É muito Lula no
ventilador, se é que me entendem...
Novas acusações fazem parte de depoimento prestado por
empresário mineiro à Procuradoria-Geral da República em 24 de setembro, dias
após ser condenado pelo STF
O empresário Marcos Valério Fernandes de Souza disse no
depoimento prestado em setembro à Procuradoria-Geral da República que o esquema
do mensalão ajudou a bancar “despesas pessoais” de Luiz Inácio Lula da Silva.
Em meio a uma série de acusações, também afirmou que o ex-presidente deu “ok”,
em reunião dentro do Palácio do Planalto, para os empréstimos bancários que
viriam a irrigar os pagamentos de deputados da base aliada.
Valério ainda afirmou que Lula atuou a fim de obter dinheiro
da Portugal Telecom para o PT. Disse que seus advogados são pagos pelo partido.
Também deu detalhes de uma suposta ameaça de morte que teria recebido de Paulo
Okamotto, ex-integrante do governo que hoje dirige o instituto do
ex-presidente, além de ter relatado a montagem de uma suposta “blindagem” de
petistas contra denúncias de corrupção em Santo André na gestão Celso Daniel.
Por fim, acusou outros políticos de terem sido beneficiados pelo chamado
valerioduto, entre eles o senador Humberto Costa (PT-PE).
A existência do depoimento com novas acusações do empresário
mineiro foi revelada pelo Estado em 1.º de novembro. Após ser condenado pelo
Supremo como o “operador” do mensalão, Valério procurou voluntariamente a
Procuradoria-Geral da República. Queria, em troca do novo depoimento e de mais
informações de que ainda afirma dispor , obter proteção e redução de sua pena.
A oitiva ocorreu no dia 24 de setembro em Brasília - começou às 9h30 e terminou
três horas e meia depois; 13 páginas foram preenchidas com as declarações do
empresário, cujos detalhes eram mantidos em segredo até agora.
O Estado teve acesso à íntegra do depoimento, assinado pelo
advogado do empresário, o criminalista Marcelo Leonardo, pela subprocuradora da
República Cláudia Sampaio e pela procuradora da República Raquel Branquinho.
Valério disse ter passado dinheiro para Lula arcar com “gastos
pessoais” bem no início de 2003, quando o petista já havia assumido a
Presidência. Os recursos foram depositados, segundo o empresário, na conta da
empresa de segurança Caso, de propriedade do ex-assessor da Presidência Freud
Godoy, uma espécie de “faz-tudo” de Lula.
O operador do mensalão afirmou ter havido dois repasses, mas
só especificou um deles, de aproximadamente R$ 100 mil. Ao investigar o mensalão,
a CPI dos Correios detectou, em 2005, um pagamento feito pela SMPB, agência de
publicidade de Valério, à empresa de Freud. O depósito foi feito, segundo dados
do sigilo quebrado pela comissão, em 21 e janeiro de 2003, no valor de R$
98.500.
Segundo o depoimento de Valério, o dinheiro tinha Lula como
destinatário. Não há detalhes sobre quais seriam os “gastos pessoais” do
ex-presidente.
Ainda segundo o depoimento de setembro, Lula deu o “ok” para
que as empresas de Valério pegassem empréstimos com os bancos BMG e Rural.
Segundo concluiu o Supremo, as operações foram fraudulentas e o dinheiro, usado
para comprar apoio político no Congresso no primeiro mandato do petista na
Presidência.
No relato feito ao Ministério Público, Valério afirmou que
no início de 2003 se reuniu com o então ministro da Casa Civil, José Dirceu, e
o tesoureiro do PT à época, Delúbio Soares, no segundo andar do Palácio do
Planalto, numa sala que ele descreveu como “ampla” que servia para “reuniões”
e, às vezes, “para refeições”.
Ao longo dessa reunião, Dirceu teria afirmado que Delúbio,
quando negociava com Valério, falava em seu nome e em nome de Lula. E
acertaram, ainda segundo Valério, os empréstimos.
Nessa primeira etapa, Dirceu teria autorizado o empresário a
pegar até R$ 10 milhões emprestados. Terminada a reunião, contou Valério, os
três subiram por uma escada que levava ao gabinete de Lula. Lá, na presença do
presidente, passaram três minutos. O empresário contou que o acerto firmado
minutos antes foi relatado a Lula, que teria dito “ok”.
Dias depois, Valério relatou ter procurado José Roberto
Salgado, dirigente do Banco Rural, para falar do assunto. Disse nessa conversa
que Dirceu, seguindo orientação de Lula, havia garantido que o empréstimo seria
honrado. A operação foi feita. Valério conta no depoimento que, esgotado o
limite de R$ 10 milhões, uma nova reunião foi marcada no Palácio do Planalto.
Dirceu o teria autorizado a pegar mais R$ 12 milhões emprestados.
Portugal Telecom. Em outro episódio avaliado pelo STF, Lula foi
novamente colocado como protagonista por Valério. Segundo o empresário, o
ex-presidente negociou com Miguel Horta, então presidente da Portugal Telecom,
o repasse de recursos para o PT. Segundo Valério, Lula e o então ministro da
Fazenda, Antonio Palocci, reuniram-se com Miguel Horta no Planalto e combinaram
que uma fornecedora da Portugal Telecom em Macau, na China, transferiria R$ 7
milhões para o PT. O dinheiro, conforme Valério, entrou pelas contas de
publicitários que prestaram serviços para campanhas petistas.
As negociações com a Portugal Telecom estariam por trás da
viagem feita em 2005 a Portugal por Valério, seu ex-advogado Rogério Tolentino,
e o ex-secretário do PTB Emerson Palmieri.
Segundo o presidente do PTB, Roberto Jefferson, Dirceu havia
incumbido Valério de ir a Portugal para negociar a doação de recursos da
Portugal Telecom para o PT e o PTB. Essa missão e os depoimentos de Jefferson e
Palmieri foram usados para comprovar o envolvimento de José Dirceu no mensalão.
Ex-ministros negam reuniões com Valério; instituto não
comenta
Advogado de José Dirceu afirma que relatos de empresário ‘não
tem qualquer procedência’
O criminalista José Luís Oliveira Lima, que defende José
Dirceu, repudiou com veemência a menção ao nome do ex-ministro da Casa Civil no
novo depoimento de Marcos Valério. O criminalista José Roberto Batochio,
advogado do ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci, também negou que seu
cliente tenha participado das reuniões no Planalto citadas pelo empresário à
Procuradoria-Geral da República. O Instituto Lula não comentou o caso.
Procurado, Freud Godoy também não se manifestou.
“A prova testemunhal e documental produzida na Ação Penal
470 (mensalão) demonstrou de maneira cabal que a nova declaração de Marcos
Valério não tem qualquer procedência”, afirmou Oliveira Lima. “O ex-ministro
José Dirceu jamais se reuniu com Marcos Valério, com o ex-presidente Lula e
Delúbio Soares no Palácio do Planalto, bem como nunca conversou qualquer
assunto com ele (Valério), muito menos a respeito de financiamentos de
campanhas”, disse.
O criminalista concluiu: “José Dirceu jamais foi ameaçado
por Ronan Maria Pinto. A quebra do sigilo fiscal e telefônico do ex-ministro
deixou patente a ausência de relação com Marcos Valério”.
“Antonio Palocci repele com indignação do mais alto grau
esta afirmação (de Valério), uma vez que tais fatos jamais existiram”, disse
Batochio. O advogado “nega peremptoriamente esses contatos e essas falsas
reuniões.”
Em viagem. Convidados de honra do governo da França, Lula e
a presidente Dilma Rousseff se reuniram ontem, em Paris, para um almoço cercado
de sigilo. O encontro aconteceu a portas fechadas, supostamente sem a presença
de assessores, na véspera do início da visita de Estado da brasileira, que
desfilará hoje pelas ruas da capital francesa.
O encontro aconteceu às 12h40, quando Lula chegou ao hotel
Bristol, no centro, onde a delegação da Presidência está hospedada. O
ex-presidente entrou por uma porta alternativa, fugindo do assédio da imprensa
brasileira, que se concentrava na entrada principal. O almoço terminou por
volta de 15h20, quando o ex-presidente deixou o hotel, mais uma vez sem falar
aos jornalistas.
O encontro não constava da agenda oficial de Dilma e de Lula
e não foi divulgado com antecedência nem pela Presidência, nem pelo Instituto
Lula. Questionado pelos jornalistas, Thomas Traumann, porta-voz do Palácio do
Planalto, não informou o teor da conversa, tampouco os assessores que
acompanham o ex-presidente, Paulo Okamotto, Paulo Vanucchi e Luiz Dulci, se
pronunciaram sobre a reunião. Questionado sobre o estado de espírito do
ex-presidente em relação ao escândalo envolvendo a ex-chefe de gabinete da
Presidência em São Paulo Rosemary Nóvoa de Noronha, o ministro da Educação,
Aloizio Mercadante, limitou-se a dizer: “O presidente Lula é um guerreiro”.
Ao longo do dia, Mercadante, o ministro do Desenvolvimento,
Fernando Pimentel, e o secretário especial para Assuntos Internacionais, Marco
Aurélio Garcia, deixaram o hotel e visitaram uma livraria. O ministro das
Relações Exteriores, Antonio Patriota, teve reuniões com autoridades francesas,
assim como o ministro da Defesa, Celso Amorim. Guido Mantega, ministro da
Fazenda, Maria das Graças Foster, presidente da Petrobrás, e o governador do
Rio Grande do Sul, Tarso Genro, não deram entrevistas. /COLABOROU ANDREI NETTO,
DE PARIS
‘Faz-tudo’ de Lula organizava até a pelada na Granja Torto
Freud Godoy era fiel escudeiro do ex-presidente desde a
década de 80
Assessor da Presidência na primeira gestão Luiz Inácio Lula
da Silva, Freud Godoy sempre foi identificado por petistas como o “faz-tudo” do
ex-presidente e um fiel escudeiro desde a década de 80. Coordenador de
segurança das quatro campanhas presidenciais de Lula, Freud frequentava o
gabinete presidencial e o apartamento do ex-presidente em São Bernardo (SP).
Costumava organizar os jogos de futebol que Lula promovia na
Granja do Torto e ocupava uma sala contígua à da ex-primeira-dama Marisa
Letícia no Planalto. Godoy pediu demissão depois que o ex-agente Gedimar
Passos, preso pela PF em 2006, o acusou de ser o mandante da compra, durante a
campanha eleitoral daquele ano, de um dossiê contra tucanos no valor de R$ 1,75
milhão. Passos depois voltou atrás. Freud foi inocentado pela CPI dos
Sanguessugas e não foi indiciado pela PF.
Marcos Valério afirma que PT paga a sua defesa no Supremo
No depoimento ao Ministério Público, empresário afirmou que
partido desembolsou cerca de R$ 4 milhões para bancar o seu advogado no
processo do mensalão
Felipe Recondo, Alana Rizzo e Fausto Macedo, de O Estado de
S.Paulo
BRASÍLIA - Os R$ 4 milhões pedidos pela defesa de Marcos
Valério para defendê-lo dos processos que envolvem o mensalão são pagos pelo
PT, segundo afirmou o empresário no depoimento à Procuradoria-Geral da
República. Valério afirmou que esta foi a única “contrapartida pela ajuda” que
prestou ao governo e ao PT nas operações que viriam a bancar o mensalão.
Custeio da defesa seria contrapartida por seu envolvimento
no mensalão
Na última das 13 páginas do depoimento, datado de 24 de
setembro, Valério responde a pergunta feita pelas procuradoras da República
Cláudia Sampaio e Raquel Branquinho sobre o que recebeu em troca pelo
envolvimento no esquema. O empresário é defendido pelo advogado Marcelo
Leonardo no Supremo Tribunal Federal. Nas palavras de Valério, foi “a
contrapartida” pela participação dele no esquema. Condenado a 40 anos, 4 meses
e 6 dias de prisão, Valério terá também de pagar aproximadamente R$ 2,7 milhões
no processo do mensalão.
Ele ainda responde a outros processos. Em um deles, foi denunciado
por envolvimento com o mensalão mineiro, que envolve tucanos de Minas, entre
eles Eduardo Azeredo, ex-governador, ex-presidente do partido e hoje deputado.
O julgamento do mensalão concluiu, diferentemente do que
disse Valério no depoimento, que sua “contrapartida” foi maior que os R$ 4
milhões que teria recebido para bancar sua defesa no escândalo.
Conforme laudo do Instituto de Criminalística da Polícia
Federal no contrato firmado com a Câmara, a SMPB se beneficiou do desvio
superior a R$ 1 milhão. Marcos Valério, seu ex-sócio Cristiano Paz e o
ex-advogado Ramon Hollerbach teriam também se beneficiado com o desvio de R$
2,9 milhões do Banco do Brasil. Mas o maior volume envolveu os desvios no
chamado Fundo Visanet. As investigações do Ministério Público e da Polícia
Federal mostram que R$ 73,8 milhões foram desviados pelo então diretor de
Marketing do Banco do Brasil, Henrique Pizzolato, em proveito de Valério, Paz e
Hollerbach.
Depoimento de Marcos Valério relata ameaças de morte
‘Ou você se comporta, ou morre’, teria dito Paulo Okamotto
em 2005; hoje diretor do Instituto Lula, ele não comentou acusação do
empresário
BRASÍLIA - Visto como um potencial homem-bomba pelo PT por
saber como foi montado passo a passo o mensalão, Marcos Valério Fernandes de
Souza disse ter sido ameaçado de morte por Paulo Okamotto, atual diretor do
Instituto Lula e amigo do ex-presidente. Se abrisse a boca, morreria, disse o
empresário no depoimento à Procuradoria-Geral da República.
Ameaças teriam sido feitas por Paulo Okamoto, segundo
Valério
“Tem gente no PT que acha que a gente devia matar você”,
teria dito Okamotto a Valério, conforme as duas últimas das 13 páginas do
depoimento prestado no dia 24 de setembro pelo operador do mensalão ao
Ministério Público Federal. “Ou você se comporta, ou você morre”, teria
completado Okamotto. Valério disse à subprocuradora da República Cláudia
Sampaio e à procuradora Raquel Branquinho que foi “literalmente ameaçado por
Okamotto”. Procurado, o diretor do Instituto Lula não comentou o caso ontem.
Valério relatou que Okamotto o procurou pela primeira vez em
2005, dias depois da entrevista concedida pelo então presidente do PTB, Roberto
Jefferson, em que o escândalo do mensalão era revelado. Okamotto disse, segundo
Valério, que o procurava por ordem do então presidente Lula.
Os dois teriam se encontrado primeiro na casa de Eliane
Cedrola. Segundo Valério, uma diretora da empresa de Okamotto. O emissário de
Lula teria pedido que Valério permanecesse em silêncio e não contasse o que
sabia.
Da segunda vez, o encontro ocorreu na Academia de Tênis em
Brasília, onde Okamotto se hospedava, conforme Valério. Foi nessa segunda
conversa, cuja data não é mencionada, em que as ameaças expressas teriam sido
feitas.
Okamotto teria dito que os dois precisavam se entender, caso
contrário, Valério sofreria as consequências. Nos vários depoimentos que
prestou à Polícia Federal e ao Ministério Público ao longo da tramitação do
processo do mensalão, Valério manteve segredo sobre essas ameaças e sobre os
detalhes do esquema.
Insinuou várias vezes, porém, que tinha mais informações a
dar. Procurou o Ministério Público para tentar “negociar” uma redução de pena e
sua inclusão no programa de proteção à testemunha. Um fax chegou a ser enviado
por seu advogado aos ministros do Supremo.
Sem proteção. Depois que o Estado revelou, em 1.º de
novembro, a existência do novo depoimento de Valério, o procurador-geral da
República, Roberto Gurgel, afirmou que o operador do mensalão não chegou a
pedir proteção à sua vida. “A notícia que me foi transmitida foi de que não
havia nada que justificasse uma providência imediata”, disse Gurgel em
novembro. “Agora, se ele viesse a fazer novas revelações, esse risco poderia se
consubstanciar.” Gurgel chegou a classificar Valério como um “jogador”.
Okamotto foi alvo da oposição durante as investigações do
esquema do mensalão no Congresso Nacional. Na época, ele presidia o Sebrae e
entrou na lista de investigados por ter pago uma dívida de R$ 29.436,26
contraída por Lula em empréstimo feito junto ao PT. Passou a ser classificado
como um tesoureiro informal do presidente.
A oposição investigava se o dinheiro do fundo partidário do
PT foi usado por Lula para pagar despesas pessoais. Okamotto disse que os
empréstimos serviram para cobrir despesas feitas por Lula com viagens e diárias
ao exterior em 2001. À CPI dos Bingos, em 2005, Okamotto não explicou por que
assumiu a dívida de Lula.
A CPI aprovou na época a quebra de sigilo de Okamotto. Mas
uma liminar concedida pelo então presidente do Supremo, Nelson Jobim, impediu
que dos dados bancários, fiscais e telefônicos de Okamotto fossem investigados.
A CPI dos Bingos foi encerrada nove meses depois de concedida a limitar sem que
as informações fossem avaliadas.
A reportagem entrou em contato com a assessoria de imprensa
do Instituto Lula no início da tarde de ontem. A assessoria do instituto, no
entanto, informou que Lula e Okamotto não “quiseram comentar o depoimento”.
Posteriormente, a assessoria informou que Okamotto
responderá às acusações “quando souber o teor do documento”. Por enquanto,
acrescentou a assessoria do instituto, Okamotto não se considera
suficientemente informado para se pronunciar.
Bastidores: Ministério Público e STF veem acusações de
Valério com cautela
MP não aceitou declarações de empresário como delação
premiada e fatos novos não foram incorporados ao julgamento já em curso
Centrado no ex-presidente Lula, o depoimento do empresário
Marcos Valério foi recebido com cautela pelo Ministério Público e pelo Supremo
Tribunal Federal. O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, optou por
não tocar no assunto até o fim do julgamento do mensalão. Por isso, escalou sua
mulher, a subprocuradora da República Cláudia Sampaio, para cuidar do assunto.
No Supremo, ministros afirmam que versão contada por Valério poderia
enfraquecer a tese consagrada pela Corte de que o ex-ministro José Dirceu tinha
o controle do esquema.
Valério tentava, com as novas declarações, obter os
benefícios de uma delação premiada. Mas o Ministério Público não aceitou as
declarações como uma delação. Por cautela, Gurgel encaminhou a íntegra do
depoimento ao Supremo. As 13 páginas chegaram ao presidente da Corte, Carlos
Ayres Britto, e ao relator do processo do mensalão, Joaquim Barbosa. Mas não
ficaram nos autos da ação penal do mensalão por razões técnicas.
Gurgel e Joaquim Barbosa preferiram não misturar os novos
fatos no julgamento já em curso no Supremo. Um ministro da Corte que teve
acesso ao depoimento afirmou que levar para o julgamento essas declarações poderia
enfraquecer as provas obtidas pelo Ministério Público e derrubaria a versão de
que Dirceu tinha o domínio completo dos fatos. Conforme esse ministro, Dirceu
permaneceria com o domínio operacional do esquema. Mas, pela versão contada por
Valério, o ex-presidente Lula teria o domínio dos fatos, já que deu seu “ok”
para os empréstimos bancários, por exemplo.
Nos bastidores do STF, ministros admitem que o processo
poderia parar se o nome do ainda presidente da República fosse denunciado. De
acordo com um dos mais experientes integrantes da Corte, o julgamento talvez
nunca ocorresse se Lula fosse réu. No Ministério Público, permanece a dúvida
sobre o que fazer com as declarações de Valério. A instituição estuda remeter
para a primeira instância os trechos envolvendo o ex-presidente, que não tem
mais foro privilegiado. Mas integrantes do MPF, afirmam que o depoimento
centrado no ex-presidente Lula dificulta a apuração das denúncias.
segunda-feira, 10 de dezembro de 2012
Fernando Gabeira: Do mel às cinzas
Esse é o título de uma obra do antropólogo francês Claude
Lévi-Strauss, um ensaio de grande alcance intelectual. Não deveria estrear
abrindo um texto como este. Mas ele me parece muito mais forte do que o título
de um romance. Além do mais, contar de forma romanesca o que se passa na cena
política brasileira nos levaria à banalidade do “a madame saiu às 5 horas”.
O mel – com seu duplo sentido para os ameríndios, alimento e
sexo, daí a expressão lua de mel – é um ponto de partida mais rico para
chegarmos às cinzas de um projeto que se intitulava de transformação, no
princípio do século. O mel como sexo não é o tema aqui. Com o tempo, aprendi
que a química humana é irredutível a um esquema lógico. Pessoas se aproximam e
se afastam de forma surpreendente e, em vez de pensar em algum controle mental
desse processo, é melhor deixar que se desenrole com suas inevitáveis
surpresas.
Também não interessa aqui a questão quem está dando para
quem. Interessa saber o que está sendo dado. O ex-senador Gilberto Miranda quer
duas ilhas, uma onde construiu uma casa e outra onde pretende construir um
porto particular.
De ilha em ilha, os senadores acabam ocupando um
arquipélago. Lembro-me da discussão pública que tive com o então senador Ney
Suassuna, que queria ocupar uma ilha na Estação Ecológica de Tamoios, em Angra
dos Reis (RJ). De modo geral, eles compram um barraco ou qualquer instalação
modesta de um eventual morador da ilha e, em seguida, reivindicam seu pleno
uso, como se fossem, realmente, os donos.
Concordo com o poeta quando diz que nenhum homem é uma ilha.
Mas acrescento: nenhum homem deveria ter uma ilha. Entregar uma ilha é mais
concreto do que a corrupção que desvia recursos. Não se trata de dinheiro, mas
de um pedaço do território nacional.
O homem-chave desse processo, Paulo Vieira, disse numa
ligação interceptada que as coisas seriam facilitadas por um funcionário desde
que se colocasse “mel na chupeta”. O mel ressurge aí não exatamente como
alimento, mas com seu poder de sedução. Ele é a forma enganadora de tornar
suportável o conteúdo da mamadeira. Nas cinzas de uma promessa de renovação,
instala-se uma difusa certeza de que a vida só é tragável com a chupeta
empapada de mel. E que só tem sentido participar do governo para enriquecer.
Como na canção de Chico Buarque, aparece uma mulher que diz
sim por uma coisa à toa, uma noitada boa, um cinema, um botequim. Uma cirurgia,
um emprego, um cruzeiro com Bruno e Marrone.
Não se pode reduzir a análise à trajetória da secretária
Rosemary Nóvoa de Noronha. O nome de Paulo Vieira foi rejeitado pelo Senado,
mas o governo decidiu forçar a barra, tanto do ponto vista político como
regimental. Ao tomar uma decisão dessa ordem, o governo não sabia por quem
estava atropelando o Congresso Nacional? Será que, no convívio com Rosemary,
Lula nunca questionou: mas quem é esse cara que foi rejeitado pelo Congresso,
por que vale a pena insistir nele?
A manobra para garantir o cargo a Paulo Vieira a qualquer
custo contou com o apoio de senadores. Romero Jucá articulou e agora diz que
nem se lembra do caso. Magno Malta fez um recurso para tornar viável a nova
escolha de Vieira. Se lhe perguntarem, dificilmente dirá alguma coisa. José
Sarney, então, é uma esfinge.
Acreditar que todo esse processo tenha tido como dínamo
apenas o poder de sedução feminino bloqueia outros caminhos para conhecer o que
se passou. Um governo não atropela o Congresso para impor uma indicação se não
a considerar de grande importância estratégica. Vendo por outro ângulo, um
governo não deixa de reexaminar uma indicação quando ela é rejeitada pelo
Senado.
Os franceses aconselham a procurar a mulher (“cherchez la
femme“) nesses casos intrincados. Mas aqui talvez valha a pena distanciar-se
dela e olhar para a montanha de cinzas que o projeto de renovação nos legou.
O governo e alguns senadores foram cúmplices objetivos de
uma quadrilha em formação. Eles estavam negociando ilhas, patrimônio físico do
Brasil. A entrega, por meio da chupeta melada, de uma parte do território
nacional é algo muito grave para se reduzir a um folhetim, apesar da beleza dos
versos de Chico Buarque.
O Congresso parece que não tem condições de investigar.
Talvez nem queira. Mas um dia isso cai nas mãos de um setor independente da
Justiça. E de novo todos ficarão angustiados com a palavra dosimetria, pensando
no remédio amargo depois de anos de “mel na chupeta”.
Da minha parte, afirmo apenas que objetivamente a quadrilha
imposta pelo governo ao Congresso estava negociando uma parte do Brasil. Dose
dupla.
Não adianta insinuar que o coração tem razões que a própria
razão desconhece. Quando começam a levar nossas ilhas, é preciso dizer basta.
A quadrilha que negociava ilhas é apenas uma irrupção na
montanha de cinzas. É preciso dinheiro para manter a máquina partidária,
garantir eleições, pagar marqueteiros. É preciso dinheiro para se manter no
poder. Só assim se faz dinheiro. Para continuar no poder.
Do mel às cinzas, vão-se desfazendo os mitos políticos. A
apuração e a publicidade do episódio vão ajudar a compreender melhor a
atmosfera de um governo de coalizão de partidos e algumas facções, como a que
opera no Porto de Santos.
Não sei o que sairá disso. Mas é preciso, pelo menos, salvar
as ilhas dos piratas. O governo foi na direção certa quando mandou examinar
todos os outros processos que passaram pelo grupo. Mas não respondeu a uma
pergunta que deveria ter sido dirigida ao próprio governo: como foi possível
fazer essa indicação, atropelar o Congresso por ela e não monitorar uma escolha
tão polêmica?
No mínimo, foi um delírio autoritário. É difícil pensar que
sejam tão inocentes as pessoas que dirigem o Brasil hoje. Muitas têm uma longa
trajetória. Quando vão encarar a realidade de uma vez por todas, sem
tergiversar?
domingo, 9 de dezembro de 2012
Percival Puggina: No que vai dar isso aí?
Não sou nenhuma celebridade, nem gostaria de ser. Mas volta
e meia alguém me pára na rua. Felizmente não querem autógrafos. Querem saber no
que vai dar isso aí. A pergunta se refere a essa coisa em que transformaram o
Brasil. Minha resposta acaba sendo comprida. Então, doravante, para simplificar
as coisas, passarei a responder por escrito. Andarei com a resposta no bolso.
O Brasil está no olho de um furacão e não toma conhecimento.
Como nunca antes neste país os problemas são graves e têm efeitos cumulativos.
Mencionarei apenas os principais, relacionando-os à nossa posição no contexto
mundial: a) estamos em 88º lugar no ranking da educação básica e no 66º da
educação superior; b) este ano, pela primeira vez, entramos na lista das 50
economias mais competitivas, com um modestíssimo 48º lugar; c) nossas péssimas
instituições nos deixam no 79º lugar em relação ao quesito qualidade das
instituições nacionais; d) ocupamos o 99º lugar no ranking da liberdade de
imprensa; e) somos o país lanterna do BRIC quanto ao número de registro de
patentes nos Estados Unidos (apenas 7% do total obtido pela China no ano
passado); f) ocupamos o 84º posto entre 187 países no ranking do
desenvolvimento humano (IDH); g) somos o 69º país mais corrupto, com uma
vergonhosa nota pouco superior a três. Junto com a proverbial impunidade, os
sucessivos casos de corrupção, na novilíngua oficial, viraram
"malfeitos" - assim como se fossem travessuras de gente grande.
Não bastasse isso, 2012 foi um ano perdido. Nossa economia
cresceu uma ninharia, pouco mais de um por cento, índice que nos coloca em
penúltimo lugar entre os 20 países ibero-americanos. Como consolação, ganhamos
do Paraguai. As tarefas centrais de qualquer governo - Educação, Saúde,
Segurança e Infraestrutura - vão de mal a pior. Um governo desses só pode ser
bem pontuado distribuindo dinheiro para os pobres e para os ricos, e mandando a
conta para a classe média. Dos primeiros vêm os votos; dos segundos a grana.
A alegria dos criminosos brasileiros é a falta de policiais
e presídios. Milhares de condenados operam livremente, ora por falta de quem os
capture, ora porque não tem onde ficar detidos. Assim, convivemos com tenebrosa
sensação de insegurança. E o governo aplicou, até o mês de novembro de 2012,
apenas um por cento do que estava previsto no orçamento federal para construção
de estabelecimentos penais. Aliás, em relação ao orçado para investimentos
neste ano, o governo da União, em todos seus setores de atuação, só conseguiu
usar 34%. Quanto ao ano de 2013, é visível que o governo esgotou os truques
para fazer a economia crescer à base do consumo interno: baixou juros, ampliou
prazos de financiamento, concedeu substanciais reduções de IPI e chamou à
sociedade ao endividamento. Haverá algo mais, na cartola das demagogias
oficiais, além do nunca feito dever de casa?
Não obstante tudo isso e muito mais, o governo e a população
não têm tal percepção. E ninguém está mais longe de resolver um problema do que
quem sequer sabe que ele existe. Os sucessivos escândalos que enxovalham o
momento histórico e atingem danosamente nossa imagem internacional parecem não
afetar as figuras centrais da república. Os patifes vivem à vida regalada,
convictos da perenidade do regabofe em que se lambuzam.
Então, as pessoas me perguntam: no que vai dar isso aí?
Minha resposta é política. Quem está no poder só sabe fazer mais do mesmo. As
expectativas relacionadas a uma possível implosão do núcleo duro desse poder
dependem exclusivamente da combinação de dois fatores: o que vier a acontecer com
a imagem de Lula junto à opinião pública e dos rumos que forem tomados pela
economia. Se, contrariando todas as probabilidades, a galinha que voou em
meados da década passada, sair por aí planando como um falcão, continuaremos
com mais do mesmo. O brasileiro, com dinheiro no bolso, pouco quer saber de
democracia e de princípios morais. Mas nem a economia, como fator isolado, será
suficiente para desconstruir a imagem do governo se a imagem de Lula não
desabar.
E Dilma? É preciso compreender que Dilma, assim como
precisou de Lula para subir, precisará de Lula para descer. Se e quando a
imagem de Lula desabar, Dilma cai junto. Fora disso não há salvação.
sexta-feira, 7 de dezembro de 2012
Editorial do Estadão: “A mão do gato”
As investigações da Operação Porto Seguro, que penetraram a
intimidade de Lula ao revelar os desmandos de sua companheira e ex-chefe de
gabinete em São Paulo, parecem ter tocado um ponto sensível da onipotência do
Grande Chefe, que finalmente acusou o golpe e mobilizou a tropa. Num mesmo dia,
três expoentes do lulopetismo apelaram ao melhor argumento de defesa que o PT
conhece: o ataque.
O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da
República, Gilberto Carvalho; o presidente nacional do partido, Rui Falcão; e o
condenado chefe de corruptores José Dirceu entoaram o coro cínico: corrupção
havia durante o governo FHC; hoje o que existe é investigação implacável de
todas as denúncias. Mais: os partidos que combatem o governo do PT sofreram
mais uma "dura derrota" nas urnas de outubro, por isso, cada vez mais
a oposição passa a ser exercida pela "mídia monopolizada e o Judiciário
conservador".
Gilberto Carvalho falou em seminário realizado na
segunda-feira em Brasília: "As coisas agora não estão mais debaixo do
tapete. A PF e os órgãos de vigilância e fiscalização estão autorizados e com
plena liberdade para agir. (...) No governo FHC não havia (autonomia). Agora
há". Assim, segundo o raciocínio do amigo de Lula, "pode parecer"
que hoje há mais corrupção, mas o que existe "é autonomia e independência
das instituições". A inconformidade irada dos petistas com o julgamento do
mensalão pelo STF define claramente o conceito de "autonomia e
independência das instituições" cultivado pelo PT.
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso reagiu com firmeza
ao ataque de Gilberto Carvalho: "Este senhor deveria respeitar o passado e
não dizer coisas levianas". Mencionou o trabalho de reestruturação da PF
realizado durante seu primeiro mandato e citou exemplos de ações policiais de
ampla repercussão contra poderosos de então, como o senador Jader Barbalho e a
governadora Roseana Sarney.
No Rio de Janeiro, durante encontro de prefeitos e
vereadores petistas, Rui Falcão seguiu na mesma linha do ministro Carvalho,
garantindo que "ninguém mais do que os governos Lula e Dilma combateu mais
corrupção e tráfico de influência". Dilma, pelo menos, tem sido implacável
com quem é pego com a boca na botija, como sabem vários ex-ministros e a protegida
de Lula, Rosemary Noronha. Mas isso, para muitos petistas, tem sentido literal:
o feio é ser pego, não é malfazer.
Mas Falcão foi mais longe. Fez questão de dramatizar as
dificuldades que o "sistema" impõe ao governo: "Não dá para
avançar no Brasil sem uma reforma do Estado que pegue a questão da mídia
monopolizada e o Judiciário conservador". E lamentou: "Não é possível
ter mais democracia no Brasil com o atual sistema político-eleitoral, sobretudo
se não se conquistar o financiamento público de campanha".
É difícil de entender o presidente do partido que governa o
País com 80% de apoio parlamentar, e que está há 10 anos no poder, queixar-se
de que "não dá para avançar" e de que a democracia que temos é pouca.
Não há quem discorde de que o Brasil necessita de uma profunda reforma
política. Mas o que é que Rui Falcão e seu partido hegemônico fizeram para isso
nesses dez anos? A resposta é pura retórica vazia: tudo é culpa da
"oposição real", que "é aquela que reúne grandes grupos que se
opõem a um projeto de desenvolvimento independente, que se opõem ao avanço da
revolução democrática e que têm, para vocalizar seus interesses, uma certa
mídia que tem partido, tem lado, e que permanentemente investe contra
nós".
José Dirceu engrossou o coro falando a sindicalistas em
Curitiba. Garantiu que mesmo atrás das grades "a luta continua",
porque "o poder começa a se deslocar para o outro lado da praça (dos Três
Poderes), onde está o Judiciário, e para os grupos de comunicação".
Quando a situação aperta, Lula convoca o velho PT bom de
briga. Aquele que em 2002, na campanha presidencial, divulgou um filmete de um
minuto criado por Duda Mendonça, em que ratos saem da toca para roer a bandeira
do Brasil: "Xô corrupção! Uma campanha do PT e do povo brasileiro". E
o áudio, dramático: "Ou a gente acaba com eles ou eles acabam com o
Brasil". Quem diria!
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